A opinião pública do mundo parecia-me uma arma legítima de usar em uma questão que era da humanidade toda e não somente nossa. Para adquirir aquela arma fui a Lisboa, a Madri, a Paris, a Londres, a Milão, ia agora a Roma, e se a escravidão tivesse tardado ainda a desaparecer, teria ido a Washington, a Nova York, a Buenos Aires, a Santiago, a toda parte onde uma simpatia nova por nossa causa pudesse aparecer, trazendo-lhe o prestígio da civilização. Se havia falta de patriotismo em procurar criar no exterior uma opinião que nos chegasse depois espontaneamente com a grande voz da humanidade, não posso negar que fui um grande culpado.
No livro de memórias “Minha Formação”, no capítulo “Passagem pelo Vaticano”, Joaquim Nabuco conta sobre seu encontro com o papa Leão 13, em meados de 1888, a quem fora pedir que intercedesse pelo movimento abolicionista brasileiro junto à princesa Isabel. Quando anunciou à corte, no Rio de Janeiro, que iria a Roma com tal propósito, um escândalo se formou, com a acusação de que tramava contra o interesse nacional. Os acusadores: a imprensa e os fazendeiros, duas das principais forças políticas do país à época. O argumento: com a libertação dos escravos, a agricultura, naquele momento a principal força da economia brasileira, seria paralisada – um crime contra a pátria.
